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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Dia Mundial da Poesia

21.03.19, Olga Cardoso Pinto

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Retrato Vivo

 

Em tom sépia, captado no tempo

Ficou gravado aquele momento

 

A imagem relumbra, embora sem cor,

Pois vem do seu sorriso aquele esplendor,

Nesta sépia monocromia tão cheia de amor!

 

Repousa plácido e sereno, o pequeno broto desta árvore repululada

Que num vagido forte e estridente, assim se fez anunciada

 

E pelas mãos do semeador, 

Em tom sépia, captado no tempo,

Ficou gravado aquele momento

Embora monocromático, mas fúlgido verdor!

 

Ilustração digital

 

Praça do Rossio, 59 de Jeannine Johnson Maia

20.03.19, Olga Cardoso Pinto

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Jeannine Johnson Maia, neste seu primeiro romance e fruto de muita investigação, revela-nos nove dias de abril de 1941, passados em Lisboa que vivia, supostamente, alheia à Segunda Guerra Mundial. 

Intrigas e traição enlaçam-se com altruísmo, solidariedade e paixão num emaranhado de acontecimentos que nos trazem à lembrança os refugiados políticos, os perseguidos por questões étnicas, religiosas ou ideológicas de tempos passados e, infelizmente, tão atuais.

Encontro na narrativa destas páginas, um excelente relato histórico da época sobre a sociedade conservadora do nosso país, sobre a neutralidade portuguesa e a política de conveniência.

Claire e António levam-nos pela capital dos anos 40, numa viagem atribulada, onde a sucessão rápida de acontecimentos inesperados ganham fulgor e onde encontramos uma paixão a desabrochar, mas logo condenada a não ter futuro!

Numa escrita envolvente e rápida, que nos remete de imediato para a urgência das ações que decorrem, acompanhamos com curiosidade e ânsia o desfecho da estória! Depois fechamos o livro e queremos saber sobre Claire e António, onde foram, que fizeram...onde estão?

Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco de Richard Zimler

18.03.19, Olga Cardoso Pinto

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Li esta obra deste excelente autor, Richard Zimler, como uma peça artisticamente tricotada com vários tipos de pontos e cores. Os fios invisíveis e incandescentes, tão poeticamente referidos por Benjamin, que tudo ligam desde seres a ações.

É uma narrativa intensa que se inicia em 1944 e avança numa catadupa de acontecimentos entre gerações até 2018.

Nesta obra a dimensão do genocídio nazi, vai ainda mais além das famílias desaparecidas, desmembradas, do atentado à condição humana. Refere com grande intensidade os efeitos da síndrome do sobrevivente, a culpa de continuar a existir, de viver uma vida onde a auto-culpabilização leva a comportamentos físicos e mentais que muitos de nós não compreendemos. 

É um romance comovente e que nos leva a questionar sobre o porquê, e de ainda hoje em dia, do ser humano ser capaz de cometer execráveis atrocidades, mas por outro lado haver indivíduos capazes de tanta humanidade, estoicismo e solidariedade.