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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Papoilas para Ti

15.05.19, Olga Cardoso Pinto

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São Papoilas bem vermelhas,

São Papoilas de jardim,

Desses imensos campos

Onde te esqueces de mim!

 

Estas Papoilas de sangue

Que medram nos trigais

São o grito de liberdade

Para que não me prendas mais!

 

Somos Papoilas vivas

Embaladas pelo vento,

Abraçamo-nos de dia

E por Ceres, beijamo-nos ao relento!

Não há outra Terra

07.05.19, Olga Cardoso Pinto

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Ontem li o artigo do Expresso “Há um milhão de espécies em vias de extinção. E a culpa é nossa” por Liliana Coelho, sobre o alerta feito pela Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES), grupo de especialistas da ONU. O alerta vem através de um relatório, divulgado esta segunda-feira (06/05/19), que reuniu dados recolhidos ao longo de três anos. O título diz tudo. Poderemos, ainda, ficar indiferentes?

No entanto, já no ano de 1962 foi publicado o livro “Silent Spring” de Rachel Carson,   que lançou o movimento ambientalista, alertando para a extinção permanente das espécies por causa das ações da humanidade. Foi um dos primeiros alertas para a nossa condição neste planeta e mesmo o seu futuro.

Em 1970 celebrou-se o primeiro Dia da Terra, fruto de uma esperança de que todos os países se uniriam na criação de leis para a proteção do ambiente com o objetivo de travar as consequências da industrialização, dos efeitos da ação humana nos habitats e espécies.

Decorreram 49 anos. Estamos em 2019 e nunca se viram e ouviram tantas notícias sobre: as milhares de espécies em extinção, as condições climáticas que tantas tragédias têm provocado, a crescente poluição, a iminente falta de água potável para satisfazer as necessidades mundiais… Muitos, despreocupadamente, dizem que é alarmismo, que é exagero dos maluquinhos obcecados com a natureza, mas a verdade é que há inúmeros indícios que qualquer um de nós poderá constatar – o decréscimo do número de insetos (em particular das abelhas melíferas), menos aves como pardais e outras aves que alegravam os nossos jardins e campos (exemplo das andorinhas). Por todo o mundo é registado o decréscimo e desaparecimento de animais selvagens, assim como no mar – peixes, mamíferos e vegetação estão em declínio, o degelo galopante dos polos, o desaparecimento de florestas ancestrais, entre outros.

Segundo Richard Steiner, biólogo conservacionista da Universidade do Alasca, especialista em poluição dos oceanos, estamos a meio da sexta extinção, num artigo em 2014:

“Estamos no meio do sexto evento de extinção em massa da história da Terra, mas desta vez causada por nós próprios”, e refere ainda: “Nos últimos 40 anos, a população mundial mais que duplicou, a economia mundial mais que triplicou, as desigualdades aumentaram, a extração e esgotamento de recursos aumentou exponencialmente, os habitats diminuíram, o terrorismo proliferou e inúmeras espécies extinguiram-se”.

O planeta não consegue comportar a extração de tantos dos seus recursos, utilizamos cerca de 50% deles e em 2030 prevê-se que duplicará. Poderemos agora inverter este percurso destrutivo? Conseguiremos, todos nós consumidores e produtores, optar já pela via da sustentabilidade? Há vontade forte para o fazer?

Voltando a referir Steiner, nesta frase que me deixa a pensar, perante esta ameaça global: “Seria interessante adivinhar o que as pessoas das sociedades antigas que colapsaram pensaram mesmo antes do fim (…). O que está agora em risco é a integridade funcional da única biosfera que conhecemos e a continuação da civilização. E, no entanto, parece que estamos entorpecidos perante esta ameaça sem precedentes”.

Perante este cenário podemos concluir que também nós estamos em risco, em risco mesmo de extinção! Mas, antes desta extinção que poderá acontecer, que planeta deixamos para as próximas gerações? Qual a nossa responsabilidade para o evitar?

Iremos ainda a tempo? Tenho esperança que sim!

 

“Nunca o Homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido. “- Leonardo Da Vinci



Imagem: pormenor de pintura a óleo sobre tela, da minha autoria 

Dia da Mãe

05.05.19, Olga Cardoso Pinto

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As Mãos de minha Mãe

 

As Mãos de minha Mãe são pequenas, mas fortes

Amparam-me na vida como dois suportes.

 

As Mãos de minha Mãe são o mapa da vida

Da tristeza passada,

Da alegria perdida.

 

As Mãos de minha Mãe são um livro aberto,

Da pujança perdida,

Do alimento incerto.

 

Mãos que se abrem para segurar

O bebé trémulo que aprende a andar.

 

Mãos que se abrem para consolar,

Dando-nos forças para continuar.

 

Mãos que se abrem para prevenir

Uma advertência que está para vir.

 

Mãos que brincam, que consolam, que afagam…

Lembranças bonitas que nunca se apagam.

 

São os livros mais belos que o mundo tem,

Que marcam a sua vida e a nossa também.

 

Para recordar a nossa existência

Olhemos para as mãos da nossa Mãe

Mãos cheias de paciência!