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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Escrita ficcionada

26.05.21, Olga Cardoso Pinto

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«O mundo vivia em tormento pela falta de água. O Norte da Europa e a América do Norte estavam debaixo de um frio intenso e prolongado que lhes congelara as suas reservas de água. Os países a sul da Europa, da América Central e do Sul, devido às longas secas viam os rios secarem em questões de dias e os aquíferos, grandes depósitos naturais de água potável, estavam stressados devido ao uso intensivo para a agricultura e indústria, outros já estavam contaminados com a poluição industrial. Faziam-se estudos e avaliações para se encontrar uma solução urgente, muitas opiniões e teorias eram formuladas, a verdade é que nada se resolvia e já havia as primeiras vítimas da falta deste precioso líquido e confrontos resultantes de assaltos às lojas, onde ainda a disponibilizavam a preços exorbitantes. Tornara-se o ouro transparente do século XXI!

Discretamente, iam surgindo informações nas redes sociais sobre a privatização da água e a sua cotação em bolsa à semelhança do petróleo. Uma grande empresa europeia estava associada a esta privatização. Os blocos informativos na tv noticiavam sobre as alterações climáticas, do desaparecimento radical das abelhas melíferas e outros insetos úteis para a polinização. Numerosas aves morriam diariamente, peixes de grande profundidade davam à costa dos países mais a sul da Europa, oriundos da imensidão do Oceano Atlântico, do Mar do Norte e do Mar Báltico. Nas costas da América do Sul surgiam todos os dias carcaças de tubarões e outros animais marinhos que circulam por estes zonas mais amenas. As populações ouviam estes desastres, mas a sua preocupação constante era a falta de água, os preços e a escassez de alguns alimentos, os animais e a Natureza continuavam a ser irrelevantes. Esporadicamente formavam-se manifestações para alertar consciências e governos, lideradas por uma organização que amiúde aparecia nas notícias – a GreenLife, porém estas demosntrações acabavam sempre em violência e radicalismos desnecessários, colocando em causa a verdade da mensagem. Esta organização era liderada por grandes cientistas, biólogos e investigadores aos quais se tinham associado os mais variados apoiantes como professores, estudantes, médicos, trabalhadores assalariados, todos descontentes com o rumo que a vida e a Natureza estavam a tomar. Segundo eles, estes acontecimentos eram fruto da intervenção criminosa de grandes organizações e poderes ocultos que tinham como objetivo dominar o mundo e instaurar um Governo Mundial, para isso causavam todo este caos – instabilidade financeira, insegurança nas populações, crises políticas, escassez de diversos bens de consumo, subida de preços e convulsões sociais…»

 

Excerto do romance de ficção  Mãe d'Água por Olga Cardoso Pinto

 

 

Ilustrando sentimentos

20.05.21, Olga Cardoso Pinto

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Projeto finalizado: O Sonho e a Liberdade vivem no meu peito

Ilustração elaborada para a Susana, inspirada na sua personalidade e que adora borboletas e flores.

«Liberdade, essa palavra que o Sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.»

Cecília Meireles in Romanceiro da Inconfidência

 

Escrita inspirada

14.05.21, Olga Cardoso Pinto

lua cheia.jpg«Nabica voltou a acocorar-se e repetiu as fases para expulsar a criança. Tentou novamente e quando já estava prestes a sucumbir ao cansaço, a criança deixou o seu útero, mas nem um vagido ou grande choro se escutou.
Dulce pegou na enfezada criança, alva como a cal. Os minúsculos braços pendiam tal como o seu corpo sem vida, quase cabia só numa mão de pequeno que era.

Nabica recuperou as forças apercebendo-se que algo não estava bem. Ausinda trazia-lhe a primeira criança, já limpa e à espera de ser alimentada. O choro era constante, a jovem afastou-a querendo ver o recém-nascido que não chorava.
− Lamento, querida... − proferiu Ausinda.
− Não o leves! − ordenou a Dulce que embrulhava a criança morta no lençol do parto.
− Dá-mo. − Nabica, soluçando, pegou com ternura naquele pequeno ser que saíra das suas entranhas, e que junto do seu coração e do seu espírito vivera até aquela noite.
Desembrulhou o lençol, pegou na criança nua, branca e luminosa e encostou-a ao peito. Orou com fervor à mãe deusa, levou a criança junto à janela expondo-a à luz da lua cheia e ao fresco das noites de março, depois mergulhou o nado-morto na selha da água fria por três vezes, perante os rostos horrorizados das duas mulheres, sempre recintando orações, seguidamente cantou à deusa a oração da vida. A criança soltou um suspiro, como os náufragos que anseiam pelo ar para os seus pulmões e berrou tão alto acordando as cabras que mesmo ali ao lado da casa tinham curral.»

 

Excerto do romance "O Abraço do Freixo" por Olga Cardoso Pinto

 

Gosto de contar estórias, de as desfiar como a um novelo e elas assim ganham vida, mesmo as passadas.

 

Um Reino Maravilhoso

11.05.21, Olga Cardoso Pinto

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«Vou falar-lhes de um reino maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite.»

Miguel Torga

 

 

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