A reflexão do chá

Desde algum tempo que a atualização do blog se demora. Não é por não querer partilhar, muito menos nada haver de interessante para publicar, é antes uma vontade de escrever algo que, certamente, será controverso para muitos, ou não… também não me apetece acender a chama dos comentadores inflamados e das críticas, se estas forem construtivas aceito-as, se não, que vão para as urtigas. A causa deste desalento e ao mesmo tempo vontade danada de o fazer, é uma imensa desilusão e discórdia por estes acontecimentos nacionais e mundiais que ganham a publicidade dos dias nos mídia e nas redes sociais.
Quando se chega a um ponto da vida em que achamos que já vimos muita coisa, vem uma daquelas admirações que nos deixam de boca escancarada até aos joelhos, tal é a tontice e o inverosímil da coisa…já para não abordar as guerras, santificadas e exploradas, “transvestidas”de valores e cunho histórico. Aborrece-me a Humanidade com falta dela, o constante debate e confrontação pautado pela ignorância, a ausência de empatia e respeito, a aceitação (que tanto se faz alarde) está a esgaçar para a intolerância, tudo se questiona num debate exaltado, a via do facilitismo evidencia-se em tudo, até no parto. Que mais direi? Tanto e tanto… e pensei eu, um dia, quando deveria ter os meus nove anos: “como será quando eu tiver cinquenta anos?!”. Ui, como a vida nos parece tão diferente quando somos crianças! Mal sabia que viveria em tempos conturbados, guerras, ditadores à solta, fome, ganância, intolerância e radicalismo, racismo, xenofobia, crueldade, ignorância, à semelhança do tempo dos meus avós. E tanto avanço tecnológico e científico disponível para a Humanidade estar mais além…tanta inteligência artificial e tão pouca inteligência humana. No entanto, concluo ainda assim, com o mesmo sentimento esperançoso dos meus nove anos, quando achava que o mundo dos adultos estava sempre certo, onde tudo se consertava e as crianças coloriam a vida.
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