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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

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Amor maternal

06.01.22, Olga Cardoso Pinto

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"A recente mãe mirava o seu pequeno varão, não poderia acolhê-lo, pois seria a sua morte! O amor maternal impedia-a de ficar com a criança, um despaupério para quem não sentiu, entre gemidos e dores atrozes que parecem devorar as entranhas, o broto germinado dentro de si. Chorou longamente, enquanto amamentava a pobre criança em vésperas de ficar órfã de mãe viva. Beijou-o vezes sem conta. Despiu-o e vagarosamente ungiu-o com azeite para o proteger contra os maus espíritos, tal como procedeu com a menina. Memorizou cada parte do seu pequeno corpinho, tão roliço e perfeito! Vestiu-o com extremoso cuidado e aconchegou-o na manta quente. Os olhos do menino abriram-se estranhando, talvez, pela mãe não continuar a beijá-lo e a tocá-lo com tanto amor. Nabica beijou-lhe os lábios e soprou para a sua boquinha, dizendo uma pequena oração encomendando-o aos deuses protetores. Do cordão de couro entrançado, que ela trazia ao pescoço sob a roupa e abrigado entre os seios, tirou um pequeno amuleto talhado em madeira de teixo, o pentáculo protetor, a estrela de cinco pontas, e meteu-o na camisinha da criança, junto ao peito onde vivia aquele rufar de vida e plenitude. Deitou-se com as crianças uma de cada lado, beijou-as e fechou os olhos concentrada no bater do seu coração e nas respirações ritmadas dos filhos recém-nascidos."

 

Excerto do romance "O Abraço do Freixo" por Olga Cardoso Pinto

 

 

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