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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

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Cem anos de Sophia

06.11.19, Olga Cardoso Pinto

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Em comemorações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, transcrevo as palavras lindamente contadas e que me parecem ser o seu retrato.

"Com as mãos tocando a parede branca, Joana respirou docemente. Era ali o seu reino, ali na paz da contemplação noturna. Da ordem e do silêncio do universo erguia-se uma infinita liberdade. Ela respirava essa liberdade que era a lei da sua vida, o alimento do seu ser.

A paz que a cercava era aberta e transparente.

A forma das coisas era uma grafia, uma escrita. Uma escrita que ela não entendia mas reconhecia.

Atravessou a sala e debruçou-se na janela aberta em frente do puro instante azul da noite.

As estrelas brilhavam, íntimas e distantes. E pareceu-lhe que entre ela e a casa e as estrelas fora estabelecida desde sempre uma aliança. Era como se o peso da sua consciência fosse necessário ao equilíbrio das constelações, como se uma intensa unidade atravessasse o universo inteiro."

Histórias da Terra e do Mar: o Silêncio

Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários

  • Obrigada Rui. Também me parece que Sophia se autodescreve nesta passagem.
    Bjs
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