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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

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Ponto a Ponto se une um Conto

Histórias de uma Árvore - 1º capítulo

28.11.19, Olga Cardoso Pinto

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Hoje inicio a publicação do conto Histórias de uma Árvore. Como já devem ter reparado gosto muito dos temas relacionados com a Natureza, ela permite-nos essa liberdade, essa serenidade e esses reencontros connosco que tanto desejamos. Inspiro-me  e tento trazer um pouco daquelas sensações que sinto ao emergir nela nas minhas caminhadas, baseando-me nas tradições e nos contos populares. Para além da escrita também gosto de ilustrar todo este mundo imaginário onde decorrem estas simples histórias.

Espero que gostem do conto que a partir de hoje partilho, e conto com os vossos bem-vindos comentários.

Mais uma vez agradeço a vossa amizade!

Bjs

 

Histórias de uma Árvore

 

     Os campos anunciavam em pleno a chegada da Primavera. As árvores de fruto enfeitadas por efémeras flores, espreguiçavam-se vaidosas exibindo as cabeleiras brancas e rosadas que as abelhas e abelhões tentavam provar. As aves migratórias regressavam em bandos, anunciando o novo ciclo. A Natureza ganhava cor, energia e fôlego para dias mais longos e aprazíveis. Os perfumes florais dispersavam-se no ar, como armadilhas cativantes para os insetos.

    Naquele final de tarde, quando os passaritos se recolhem e chilreiam intensamente por entre as árvores, quando os odores das flores e das ervas acariciadas pelo sol primaveril se libertam, ela olha em volta e suspira! Todos se entreolham… irá falar? Será hoje? Será hoje que ela conversará? Depois sacode a cabeleira recém crescida, de tons de verde claro e volta a suspirar… rumina para si algo impercetível! Mas, mais nada dirá. A passarada desiludida encolhe-se bem pertinho uns dos outros, fecham-se as boas-noites, espreita o luar, cala-se o vento e sussurra a brisa.

    A promessa feita há tanto tempo ainda não se cumpriu. Quando chega a Primavera, todos aguardam, acomodam-se à roda da velha árvore, mas ela sempre muda e calada, nada diz, nada revela! “Uma desilusão!” comenta a pêga rabuda. “Uma grande mentirosa, é o que é!” acrescenta a toupeira, todos comentam e aguardam pelo dia que a velha árvore conte histórias!

    A noite chega em passos frescos e descalços, sorrateira e bem-vinda pelas corujas e morcegos. Ao longe ouve-se o uivo do chefe lobo! A noite será de lua cheia!

    A árvore estala o tronco, os pássaros estremecem, acordados e estremunhados do seu sono breve.

    — A Árvore estará bem? – pergunta o pardalito.

    — Não sei! Talvez seja da idade! Ouvi dizer que as árvores velhas têm problemas de casca! Que estalam assim sem mais nem menos! – responde a mãe pardal.

    — Ahhh! E isso será grave? – volta a questionar a jovem ave.

    — Talvez seja! Ela tem muita idade, qual ao certo não sabemos… e ela também não o diz! – respondeu a progenitora encolhendo as asas. – Agora dorme que já são horas!

    — Mas porque todos querem ouvir a velha árvore?

    — Porque ela sabe coisas que nós não sabemos! Ela vive aqui há muito tempo! Os meus avós diziam que ela cuida de nós se nós também cuidarmos dela!

    — E porquê ela cuida de nós? – insistiu mais uma vez a pequena ave, tirando a paciência à progenitora.

    — Ela cuida de nós dando-nos abrigo, alimento no final do verão e proteção! Dorme agora! – e bocejou exageradamente para que o filhote se calasse.

    O velho Freixo volta a estalar a casca e agita a folhagem, como espreguiçando-se. As aves assustadas e de sonhos interrompidos, agitam-se, ele volta a suspirar e imite um som gutural que deixa todos inquietos, depois adormece embalado pela brisa fresca das noites de março.

 

Continua

2 comentários

  • Olá Alice!
    Agradeço as suas palavras e por ter lido e gostado do blog. Espero que volte e continue a ler o conto recente.
    Bjs
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