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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Um caminho

09.06.21, Olga Cardoso Pinto
Sentir Sinto-me presa, espartilhada Num longo destino que me leva ao nada   Sinto-me desmaterializar Na bruma dos dias de finais incertos Na corrida da vida ansiar Pelos sentimentos certos   Sou desequilibrada neste sentir Ansiando pelo que ainda é incerto vir   Cansada da luta Do frenético buliço Envolvo-me em mim Como num cortiço   Sem mantas nem tetos para me cobrir Apresento-me a este mundo e ao que há-de vir Pois pelo que sou não tenho pena nem dor Desenho a direito em (...)

Ontem Rio hoje Mar

05.06.21, Olga Cardoso Pinto
Mar de uma vida No enlevo desses dias Perdi-me como extasiada No mar da vida das almas bravias Sempre soltas nessa amurada Nunca o Mar foi tão forte Nesse espraiar descontraído Traz-me à memória qual a sorte De um partir sem ter saído Num vai e vem de cada onda Vejo vida formar-se e eclodir Tão certa como o mar nesta monda De um voltar sem ter de partir   Foto: Praia da Agudela - Matosinhos    

Inspiração

04.06.21, Olga Cardoso Pinto
Um rio Conta um rio muito antigo que ao levar pressa no correr Nunca pôde voltar atrás corrigindo a caminhada Resilindo-se ao destino de no mar se desvanecer Salgando a pródiga vida da sua água adoçada   Foto: Rio Ave - Ecocaminho da Trofa  

Dia da Criança

01.06.21, Olga Cardoso Pinto
A criança que fui chora na estrada I A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou; Mas hoje, vendo que o que sou é nada, Quero ir buscar quem fui onde ficou. Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou A vinda tem a regressão errada. Já não sei de onde vim nem onde estou. De o não saber, minha alma está parada. Se ao menos atingir neste lugar Um alto monte, de onde possa enfim O que esqueci, olhando-o, relembrar, Na ausência, ao menos, saberei de mim, E, (...)

Escrita inspirada

14.05.21, Olga Cardoso Pinto
«Nabica voltou a acocorar-se e repetiu as fases para expulsar a criança. Tentou novamente e quando já estava prestes a sucumbir ao cansaço, a criança deixou o seu útero, mas nem um vagido ou grande choro se escutou. Dulce pegou na enfezada criança, alva como a cal. Os minúsculos braços pendiam tal como o seu corpo sem vida, quase cabia só numa mão de pequeno que era. Nabica recuperou as forças apercebendo-se que algo não estava bem. Ausinda trazia-lhe a primeira criança, já (...)

Um Reino Maravilhoso

11.05.21, Olga Cardoso Pinto
«Vou falar-lhes de um reino maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite.» Miguel Torga    

Dia da Mãe

02.05.21, Olga Cardoso Pinto
De Joelhos “Bendita seja a Mãe que te gerou.” Bendito o leite que te fez crescer Bendito o berço aonde te embalou A tua ama, pra te adormecer! Bendita essa canção que acalentou Da tua vida o doce alvorecer … Bendita seja a Lua, que inundou De luz, a Terra, só para te ver … Benditos sejam todos que te amarem, As que em volta de ti ajoelharem Numa grande paixão fervente e louca! E se mais que eu, um dia, te quiser Alguém, bendita seja essa Mulher, Bendito seja o beijo dessa boca! Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”