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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Flores do campo

A beleza da simplicidade

05.07.21, Olga Cardoso Pinto
A flor de urze é pequena, linda nos seus cachinhos que se perfilam para adornarem os campos, o seu nome científico é a Calluna Vulgaris. Esta bela planta também é conhecida por torga e foi nela que o nosso grande Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, se inspirou para lhe tomar o nome. “… eu sou quem sou. Torga é uma planta transmontana, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras e (...)

Pelo caminho

29.06.21, Olga Cardoso Pinto
Pelo caminho o asfalto recorta a paisagem quase intocável. A cantoria dos pássaros deixa entrever um mundo onde o Homem só por ali vai de passagem, mas o som que nos enche os sentidos é o zumbir replicado por milhares de abelhas que ali se alimentam das belas flores campestres, nascem assim sem a mão humana dominadora. Neste desterro da civilização imperam os bichos, a Natureza, ela está por aqui neste cume de cheiros, perfumes, cores e sons. O ruminar e o resfolegar dos (...)

Bordados de Amor

15.04.21, Olga Cardoso Pinto
  Tecedeira   Sinto a chuva no rosto Numa felicidade sem fim Rasgo penas de desgosto Voando procurando por mim   Lavo a alma atormentada Sem condição para a condenar Sinto-me na leveza enlevada Nesta vontade de criar   Bordo em fios bem delgados Teço destinos irreais Encontro mistérios guardados Envolvendo-me em bordados magistrais   Sei quem fui, o que sou Sem tormentas nem dor Sou aquela quem bordou Todos os versos de amor   Imagem: Lenço dos Namorados - Vila Verde  

Branco

Desafio Caixa de Lápis de Cor

14.04.21, Olga Cardoso Pinto
Este desafio termina hoje com a cor branca. Recordo que foi criado pela amiga Fátima Bento, do blog Porque Eu Posso, e que tem feito correr tanta escrita!  Como gosto de casas antigas, sobretudo aquelas que ficaram esquecidas pelo tempo, hoje escrevo sobre uma muito especial.      Perdeste a tua altivez granítica, hoje és senhora decrépita lamentando os anos que por ti passam. As memórias do tempo (...)

Encontrando a inspiração

Minhotando

09.04.21, Olga Cardoso Pinto
  Estava a precisar disto! De respirar o perfume, de espraiar o olhar pelas serras,  de escutar sem esforço o cantar das aves e o correr das ribeiras, de encontrar essa inspiração que só no Minho profundo habita em cada recanto verde, em cada caminho rural, em cada encruzilhada.  

Mistérios contados

13.01.21, Olga Cardoso Pinto
"Quando a noite ia alta, todos dormiam, só os grilos aprimoravam os acordes. Passos suaves, seguidos de algo deslizante, entraram no quarto de Glória. Ela moveu-se na cama mudando de posição. Um pó quase invisível pairava no ar. Sobre o seu corpo relaxado, um vulto debruçou-se tocando-lhe no rosto, a menina mexeu-se sem, contudo, acordar. Seguidamente, o vulto saiu e entrou no quarto de Tobias. O menino estava deitado de barriga para cima, com um dos braços sobre a testa, a sua (...)

A mensagem

29.12.20, Olga Cardoso Pinto
No cimo do caminho estava ela. Envolta na capa de lã, sem um vislumbre de pele ou cabelo. O negrume era a sua cor, envolvendo-a como uma aureola. Estaria assim a sua alma? A morrinha caia sem cessar há muitos dias, toda a aldeia e prado estavam cobertas por ela e pela neblina que teimava em deixar-se ficar. No alto das serras o gado pastava satisfeito com o descanso, nem viva ’alma se ouvia. Só ela. Caminhara pelo caminho ligeiramente inclinado. Os sons dos seus pequenos passos, (...)