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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Novamente Dezembro

04.12.23, Olga Cardoso Pinto
Dezembro! És o último dos meses, encerras o desfilar do tempo nas folhas do calendário. Nasceste envolto em neblina, frio, dias mendinhos e longas noites, no entanto, és cheio de festividades e celebrações. O solstício de inverno continua celebrado em ti pela natureza que se enovela para letargicamente viver em suspenso. Em ti nasceu o amor que me cativou, o filho segundo num desejo assoberbado e a fraternidade de uma alma semelhante à minha! Em ti faço balanços de um ano (...)

Janela namoradeira

27.11.23, Olga Cardoso Pinto
  Senta-te comigo à janela... Num belo dia ensolarado, Ou na noite serena de céu estrelado.   Senta-te juntinho a mim Como a namorar, Deixemo-nos ficar assim O jardim contemplar...   Olha...lá longe a serra, como por nós a suspirar E aqui perto a vinha, as laranjas e o trigo ao sol a doirar Depois as camélias, as rosas e os cravos, todos a medrar...   Diz-me de ti, aqui ambos sentados... Faz-me sorrir com o teu humor, Conta-me segredos, verdadeiros ou inventados, Deixa-me corar (...)

Segredos

20.11.23, Olga Cardoso Pinto
  "Glória ia sendo lentamente seduzida pela vida singela deste mundo rural. Durante o dia, aos poucos, ia esquecendo as lembranças que à noite teimava em guardar e a revisitar vezes sem conta, com o intuito de não as olvidar, arreliava-se até por esquecer um ou outro pormenor da antiga casa, da antiga rua e da escola. Contudo, nunca saíra das redondezas sozinha. Naquela manhã saiu decidida, depois de avisar o pai que ia num pequeno passeio. Não o confessava, mas o irmão era o (...)

Mabon

16.11.23, Olga Cardoso Pinto
    O Outono é uma Mulher que se veste de tons ocres, laranjas, fulvos intensos. Adorna-se de belas joias naturais e desfila elegantemente, contagiando o mundo pelos caminhos que percorre. Recebe no colo e nas mãos as aves persistentes que teimam em ficar. Perfuma, com laivos de magia, cada recanto das cidades, vilas e aldeias; um perfume que só ela sabe destilar, de coração quente com pitadas de noz, pinha e musgo, as notas florais vêm das flores dos citrinos e para ambientar, (...)

Nós, Humanos

08.11.23, Olga Cardoso Pinto
🍃🍂 Todo o corpo humano é um mundo natural... Os nossos pulmões assemelham-se a árvores, o nosso cérebro parece-se com zonas rochosas desgastadas pelas águas, as nossas impressões digitais comparam-se com os anéis das árvores que registam a sua idade no interior do seu tronco, as palmas das nossas mãos colocadas ao lado de folhas de árvores, são semelhantes nos veios que as percorrem. O nosso sistema circulatório é quase como a imensidão de rios que correm para o mar. O (...)

Riquezas

06.11.23, Olga Cardoso Pinto
    Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura...   Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, (...)

Leituras: Microconto

O lenço dos Namorados

03.11.23, Olga Cardoso Pinto
  O ritmado da mão e da agulha no passajar, hipnotizava-a, tornava-lhe a mente dormente, aturdida para os ruídos exteriores, do cacarejar das galinhas e do zurrar dos burros. O bordado ia nascendo daquelas mãos pequenas de dedos curtos e arredondados, como um parto sem dor, todo ele florido. No aconchego do alvo linho, a jovem semeava belas flores coloridas. Torneadas filigranas de fio e seda, enroscavam-se na bordadura daquele lenço que ganhava sentimento e alma. Ana bordava (...)

Outonando por...

Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d'Arcos

02.11.23, Olga Cardoso Pinto
Em pleno dia de outono agreste, as nuvens ameaçavam cair sobre nós, trazendo um quase dilúvio para a nossa caminhada. Um sol envergonhado até ia espreitando, tentando que o céu se descobrisse de azul... Lá fomos rompendo pela natureza, quase intocável, sempre banhada pela água que faz das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d'Arcos uma zona muito especial. Declarada zona húmida de importância internacional, abrange várias freguesias do concelho de Ponte de Lima, é uma zona rural (...)

Reflexões

24.10.23, Olga Cardoso Pinto
  Quem, no sossego das pedras e no íntimo da natureza, jurou amores e refletiu na vida? Nas suas versões, nos dois lados dos amores e da vivência? Tudo tem duas faces, duas versões - um real, terreno - outro, como um reflexo que se desvanece, incorpóreo. A mente balança entre dois estados e a isso se chama imaginação, a mãe da criatividade, a luz que ilumina os dias reais. O reflexo idealizado que faz sentido para o criativo...   Foto: Ponte de Varziela - Castro Laboreiro