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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

No leito do Mar...

14.07.21, Olga Cardoso Pinto
Fundo do mar No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores.   Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços.   Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço.   Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso.     Sophia de Mello Breyner Andresen - (...)

Inspiração

23.03.21, Olga Cardoso Pinto
MAR De todos os cantos do Mundo Amo com um amor mais forte e mais profundo Aquela praia extasiada e nua Onde me uni ao mar, ao vento e à lua. Cheiro a terra as árvores e o vento Que a Primavera enche de perfumes Mas neles só quero e só procuro A selvagem exaltação das ondas Subindo para os astros como um grito puro.   Sophia de Mello Breyner Andresen    

Bem-vinda Primavera!

20.03.20, Olga Cardoso Pinto
JARDIM PERDIDO Jardim em flor, jardim de impossessão, Transbordante de imagens mas informe, Em ti se dissolveu o mundo enorme, Carregado de amor e solidão. A verdura das arvores ardia, O vermelho das rosas transbordava Alucinado cada ser subia Num tumulto em que tudo germinava. A luz trazia em si a agitação De paraísos, deuses e de infernos, E os instantes em ti eram eternos De possibilidades e suspensão. Mas cada gesto em ti se quebrou, denso Dum gesto mais profundo em si contido, Poi (...)

Cem anos de Sophia

06.11.19, Olga Cardoso Pinto
Em comemorações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, transcrevo as palavras lindamente contadas e que me parecem ser o seu retrato. "Com as mãos tocando a parede branca, Joana respirou docemente. Era ali o seu reino, ali na paz da contemplação noturna. Da ordem e do silêncio do universo erguia-se uma infinita liberdade. Ela respirava essa liberdade que era a lei da sua vida, o alimento do seu ser. A paz que a cercava era aberta e transparente. A forma das coisas era (...)