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A Cor da Escrita

Páginas onde a ilustração e o desenho mancham de cor as letras nascidas em prosa ou em verso!

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Viagem emocional

Mosteiro de Santa Maria das Júnias

01.03.24, Olga Cardoso Pinto

 

O Mosteiro, as suas ruínas e ainda a persistente igreja existente de Santa Maria das Júnias, nos arredores de Pitões das Júnias, em Montalegre, Vila Real, com acesso pelo Parque Nacional Peneda-Gerês, é um lugar místico. Situado num vale estreito, longe de populações e da modernidade, desafia as eras e o passar do tempo.

Após uma caminhada não muito esforçada, mas que não é para todas as pernas, chegamos ao caminho empedrado que lhe dá acesso. Logo aí, preparamo-nos para o que nos aguarda mais à frente. A Natureza saúda-nos, dando-nos as boas-vindas para um local há muito construído por sábios arquitetos e mestres pedreiros, imbuídos de fé e vontade de construir. O lugar, para muitos, em reclusão; para eles, os seus habitantes, o isolamento como forma de libertação para o espírito, deslumbra-nos num encanto. Para aqueles, como eu, que gostam de caminhar em plena Natureza e contemplação, visitando e descobrindo locais onde podemos carregar energia e inspiração, este é um dos destinos a não perder. Mas convém saber a história do lugar, as origens e objetivos da sua existência para melhor o compreender...e preparar-se para a caminhada.

Este cenóbio foi construído no local onde já existia um antigo ermitério pré-românico, fundado no século IX. Os antigos eremitas procuravam locais que lhes permitisse o mais completo isolamento.

Desconhecemos o anterior nome, mas na era cristã tomou o nome, que atualmente tem, Santa Maria das Júnias, fundado por monges da Ordem de S. Bento, que posteriormente passou a seguir a Ordem de Cister, ambas dedicavam-se à agricultura, vinha e pastoreio. Esta foi a primeira comunidade de monges que dependia da pastorícia, facto que acentuou o seu carácter humilde e ascético.

Ao longo de vários séculos, as instalações sofreram algumas intervenções de restauro e obras. Contudo, a partir do séc.XVIII, principiou-se a sua decadência devido à falta de rendimentos e da entrada de novos monges. Já no séc.XIX, com a extinção das casas religiosas masculinas, o abandono efetivou-se, passando o último monge a ser pároco da aldeia de Pitões. No final do século XIX, um enorme incêndio levou à ruína quase total das dependências conventuais.

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1950.

Ainda está a cumprir funções, a pequena igreja granítica, testemunha de fé e resiliência humana. A 15 de agosto enche-se de enfeites e alegria para a romaria, tirando-a do silêncio em que vive mansamente na companhia das aves, da vegetação e do correr do ribeiro.

O convite a ficar em contemplação, ouvindo a Natureza e o silêncio do granito que impera na construção, leva-nos numa viagem histórica, emocional e pessoal, em introspeção e também na recuperação do fôlego pelo caminho e pela paisagem...

 

Boa viagem, boa caminhada

 

 

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